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Rodrigo Constantino
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Um blog de um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”.

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A cidade da fantasia do presidente da OAB/RJ

Por Leandro Mello Frota, publicado no Instituto Liberal

O Presidente da OAB/RJ, Felipe Santa Cruz, teve hoje um artigo publicado pelo “Jornal O Globo”, onde ele expõe o retrato de uma cidade do Rio de Janeiro que não coaduna com a dura realidade vivida pelo carioca no seu dia-a-dia.

De acordo com Felipe Santa Cruz, a onda de pessimismo que toma conta da cidade está ligada apenas a fatores externos, como a instabilidade econômica, o preço do petróleo e a falta de credibilidade na política; que a segurança pública carioca está no caminho certo, com as ações do poder público e o desarmamento; e que moramos em um Rio de Janeiro beneficiado pela política do petróleo, por uma política correta de reconstrução do estado e às vésperas de realizar o maior evento esportivo do mundo.

Agora vamos trazer uma perspectiva real dos problemas da nossa cidade.

Nunca a sensação de insegurança esteve tão alta em nossa cidade. Crimes violentos são cometidos à luz do dia nos mais diversos lugares públicos, como ônibus, metrôs, parques e ruas. De acordo com o Instituto de Segurança Pública, no ano passado a violência no Rio atingiu os mesmos níveis pré-UPPs (2008).

Dentro desse cenário, a OAB/RJ se põe, ininterruptamente, contra qualquer medida que venha a estimular o combate à violência. O caso mais claro se dá na redução da maioridade penal. Enquanto o Congresso tenta dar uma resposta às ruas, a OAB Federal, com apoio da seccional do Rio de Janeiro, ingressa com uma ADIN para barrar essa medida, sob o estranho argumento que essa lei busca encarcerar homens jovens negros, sendo supostamente uma lei racista.

Ironia das ironias, de acordo com o Mapa da Violência de 2015, 46% dos óbitos de jovens de 16 e 17 anos no Brasil ocorre em razão de homicídios. Destes, 93% são do sexo masculino e 66,3% são negros. Ou seja, a maioria das vítimas de homicídios entre 16 e 17 anos são jovens e negros. Quando se fala em diminuição da maioridade penal, está se buscando proteger uma maioria de vítimas homens, jovens e negros inocentes, em detrimento a homicidas de qualquer sexo, cor ou idade. Mas por conveniência ideológica, a OAB/RJ ignora esses dados, repetindo um chavão esquerdista vazio.

Culpar cenários externos é a tática de quem não quer se responsabilizar por suas próprias ações. Na questão do petróleo trazida pelo Presidente da OAB/RJ, isso se torna, além de uma fuga, uma contradição. Em certo momento, ele fala que a política do petróleo é boa para o Rio. Em outro, diz que o preço do petróleo prejudicou o Rio. Ora, se a variação do preço do petróleo tem tamanho poder sobre as políticas públicas do Rio, é sinal que essa política de petróleo não é lá muito boa.

A verdade é que o Estado do Rio se tornou dependente dos royalties do petróleo e não se preparou para um cenário onde houvesse queda do preço internacional e quebra dos investimentos do petróleo em virtude do péssimo sistema de partilha criado pelo PT, partido com fortes laços com a administração da OAB/RJ, e da corrupção em massa na empresa, patrocinada pelo mesmo partido. Uma política realmente inteligente seria ver o Estado do Rio caminhando financeiramente com suas próprias pernas, fazendo dos royalties um instrumento de recursos extraordinários a serem usados em melhorias também extraordinárias, e não sendo utilizados em despesas correntes do orçamento estadual. Isso não é boa política de petróleo.

E o que falar das loas às Olimpiadas? Após o fiasco da Copa do Mundo, que deixou um Maracanã financeiramente inviável, além de uma dezena de elefantes brancos em todo o país, agora se usa mais um engodo que nos deixará como legado estruturas esportivas caras e sem apelo social, além de uma dívida pública em todos os níveis (federal, estadual e municipal) que inviabilizará investimentos realmente relevantes para o cidadão carioca, como educação, saúde e, já que estamos falando nisso, segurança.

Se vamos falar de uma política correta de reconstrução da cidade e do estado, precisamos ter os pés no chão e falarmos em investimentos de base em serviços públicos essenciais, com larga parceria com a iniciativa privada, além de desburocratização, redução da carga tributária, responsabilidade fiscal com redução de despesas e abertura de todo o setor econômico carioca e fluminense com segurança jurídica e concorrência. Isso sim pode fazer o Rio de Janeiro hoje ser melhor do que ontem e o amanhã ser melhor que o hoje.

Falar que a situação atual da cidade do Rio de Janeiro é boa é um escárnio com nossa sociedade. Talvez nem seja por mal, pois é difícil enxergar os dissabores da vida cotidiana quando se preside uma instituição que lhe concede benefícios diversos enquanto um advogado paga mil reais de anuidade para poder tentar sobreviver em um setor cada vez mais desprivilegiado pela sua própria guilda.

Sobre / 

Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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