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Rodrigo Constantino
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Um blog de um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”.

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Agenda de privatizações ganha força graças também ao PT

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“Nada mais forte do que uma ideia cuja hora é chegada.” (Victor Hugo)

Em sua coluna de hoje, Carlos Alberto Sardenberg fala da retomada da agenda de privatizações, mostrando como Michel Temer tem seguido nessa linha, assim como João Dória em São Paulo, entre outros (até mesmo o PT teve que privatizar!).

Ele lembra da reação patética de Geraldo Alckmin na campanha de 2006, quando foi acusado de privatista por Lula e virou um outdoor ambulante de broches de estatais, e compara com a reação de Dória agora, que não sucumbiu diante dos ataques e insistiu na defesa da privatização.

Algo mudou. O quê? Em parte foi o esforço homérico dos poucos liberais com seus institutos e espaço escasso na mídia. Com a ajuda das redes sociais, esses liberais conseguiram levar a cada vez mais gente uma mensagem alternativa, derrubando mitos e falácias estatizantes.

Mas entendo que, se isso foi uma parte importante do processo, devemos ao PT a outra parte. Isso mesmo: ao fracasso petista. Ele foi tão retumbante, destruiu tanto as estatais, os serviços públicos pioraram tanto, que o povo passou a pensar: “nada pode ser pior do que isso”.

Estava aberto o caminho para as privatizações, sendo que os governos também precisam desesperadamente de recursos, pois estão quebrados. Novamente, “mérito” do PT, que jogou a economia nacional na lama. Claro, sem o esforço dos liberais, talvez o público ficasse perdido como uma biruta, sem saber da existência de uma alternativa. Mas o PT ajudou a derrubar de vez a crença num estado-empresário eficiente. Diz Sardenberg:

Sabem a quem devemos esse triunfo da agenda liberal? Já adivinharam. Ao PT, claro, aos governos Lula e Dilma, que promoveram uma tal destruição da gestão estatal que o pessoal imagina: nada pode ser pior que isso.

Mas foi uma pena, e custou muito ao país que essas ideias — redução do Estado, controle de gastos públicos, privatizações e concessões — tenham voltado pelos piores motivos.

José Serra, quando candidato presidencial tucano, em 2002, também se recusou a defender as privatizações do governo FHC, que ficaram órfãs por todo esse tempo.

Se os liberais tivessem defendido suas ideias, ou se houvesse liberais dispostos, não teria sido preciso que o PT destruísse estatais para demonstrar a ineficácia do Estado.

Exato: mas acontece que os tucanos não são liberais! Aceitam privatizar sem muita convicção, por necessidade de caixa mais do que por convencimento ideológico (talvez a exceção seja Dória mesmo, o que mostra uma guinada mais liberal no PSDB). FHC e Serra jamais foram liberais. São, ao contrário, esquerdistas que também acreditam num estado como locomotiva do progresso e da “justiça social”.

Faltava, portanto, um arcabouço intelectual mais liberal (papel dos institutos) e políticos que dessem vida a essa agenda (papel dos partidos). Hoje temos as duas coisas, ainda que em estágio inicial. Mais e mais gente defendendo com argumentos teóricos e base empírica as vantagens das privatizações, e políticos que percebem que esse é o caminho e pregam abertamente tal agenda.

Mas a honestidade me obriga a reconhecer: talvez nada disso tivesse sido possível sem a ajudinha involuntária do PT corrupto e incompetente. Foi a desgraça causada pelo “partido” de Lula que abriu espaço para essa retomada de uma agenda de privatizações, que eu defendi em forma de um livro bastante completo e embasado, apesar do título mais “comercial”, já em 2012. Perdemos muito tempo, muito dinheiro, empregos e tivemos péssimos serviços. Mas antes tarde do que nunca. Privatize já!

Rodrigo Constantino

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Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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