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Rodrigo Constantino
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A cada 5 minutos uma mulher é agredida no Brasil, mas você pensa que isso é culpa do machismo

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Por Adolfo Sachsida, publicado pelo Instituto Liberal

Os dados a seguir foram todos retirados do Atlas da Violência e se referem ao ano de 2014.

Vi algumas postagens no Facebook dizendo que a cada 5 minutos uma mulher é agredida no Brasil. Tal estatística nos deixa assustados. Afinal é violência demais!!! Além disso, tal notícia nos leva a crer que em nosso país a mulher é vítima sistemática de violência. Isto é, de que o Brasil é um país tranquilo a menos que você seja mulher.

Bem, vamos aos dados. Em 2014 foram registrados 59.627 homicídios no Brasil. Na página 26 do referido estudo (Seção 6. Violência de Gênero) podemos ler que: “Treze mulheres assassinadas por dia no Brasil. Esse é o balanço dos últimos dados divulgados pelo SIM, que tomam como referência o ano de 2014. Isso significa dizer que, no ano em que o Brasil comemorava a Copa do Mundo e se exibia ao mundo como nação cordial e receptiva, 4.757 mulheres foram vítimas de mortes por agressão“. Uma conta simples sugere então que no ano de 2014 foram assassinados 54.870 homens. Ou em outras palavras que a cada mulher assassinada outros 11,5 homens perdiam sua vida em decorrência de homicídios. Como o número de mulheres na população é maior do que o de homens, isto implica que a taxa de homicídios entre homens é mais de 11,5 vezes maior do que entre mulheres. Em termos percentuais temos que 92% dos homicídios no Brasil tem o homem como vítima. Em apenas 8% dos homicídios a vítima é mulher.

O estudo citado se assusta (corretamente) com a absurdamente alta taxa de 13 mulheres assassinadas por dia no Brasil. Contudo, uma conta simples mostra que por dia são assassinados 150 homens em nosso país. O texto de facebook diz que que a cada 5 minutos uma mulher é agredida, mas outra conta simples mostra que a cada 10 minutos um homem é assassinado no Brasil.

Em outro post já comentei sobre a violência contra homossexuais no Brasil. O Grupo Gay da Bahia reclamava da ocorrência de 336 homicídios contra homossexuais. Número certamente absurdo. Mas quando colocado no contexto geral de violência no Brasil mostra que nosso país é violento por qualquer critério adotado.

Sim, o Brasil é o país onde mais se matam mulheres no mundo. Mas é também o país onde mais se matam homens no mundo. Em termos absolutos em nenhum país do mundo se mata tanto quanto no Brasil. O problema da violência no Brasil é geral. Políticas públicas que queiram obter sucesso no combate a violência precisam focar no problema real: a violência no Brasil é generalizada. A violência no Brasil não reflete machismo e nem racismo e nem homofobia e nem xenofobia. Claro que existem exemplos de racismo, machismo, xenofobia e homofobia em nosso país. Mas quando olhamos os grandes números, resta evidente que a violência em nosso país é generalizada. Políticas públicas que protejam apenas grupos específicos de vítimas irão dispersar nossos recursos em políticas de segurança que talvez deem votos e aplausos a políticos, mas que terão pouco sucesso em reduzir nossas absurdamente altas taxas de violência.

Esse artigo não tenta dizer que a mulher não sofre discriminação. Esse artigo não tenta dizer que negros não sofrem racismo. Esse artigo não tenta dizer que homossexuais não sofrem. Esse artigo não tenta dizer que não há violência doméstica. Esse artigo diz apenas que a violência no Brasil é generalizada, e a maneira de combate-la deve levar em conta a condição de risco de toda população, e não apenas a de determinados grupos.

A cada 5 minutos uma mulher é agredida no Brasil. A culpa disso é do fracasso estrondoso de nossas políticas de segurança. Prender mais bandidos, aumentar o policiamento nas ruas, e permitir que a população tenha acesso a armas de fogo são um caminho para determos a violência que aflige nossa sociedade.

Sobre / 

Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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