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Rodrigo Constantino
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Cenário do Parque Olímpico é de abandono: alguém está realmente surpreso?

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Vejam essa reportagem sobre o abandono do Parque Olímpico. As imagens mostram como o quadro é de descaso total, o que já havia sido mostrado nessa outra matéria do jornal O GLOBO:

Durante a Rio 2016, os holofotes de todo o mundo estavam voltados para o Parque Olímpico, na Barra da Tijuca. Dois meses após o fim das competições, o cenário no local é de abandono. No pátio entre as arenas, que vivia lotado de gente fascinada pelos Jogos, agora ficam acumulados restos de material usado nas estruturas provisórias de lojas e restaurantes, que ainda não foram recolhidos. Ao entrar no espaço, agora desocupado, a impressão que dá é a de fim de festa, com tubos, fórmicas, paletes, peças de aço e entulho espalhados pelo chão. 

Por enquanto, não há uma data para a reabertura do espaço ao público. Prevista inicialmente para o início de agosto, a licitação para a escolha da empresa que irá administrar o local foi remarcada e deve ocorrer amanhã. A concorrência já foi adiada cinco vezes para revisão do edital e por pendências com o Tribunal de Contas do Município (TCM). Um relatório sobre o processo teve que ser analisado pela Secretaria Geral de Controle Externo do órgão. Nas últimas semanas, o tribunal avaliou o documento para verificar possíveis irregularidades ou condições prejudiciais aos cofres do município. A empresa que assumir o Parque Olímpico a partir de janeiro terá ainda que reurbanizar o espaço entre as arenas e realizar uma série de intervenções nas instalações.

Sim, nós avisamos que isso aconteceria. Enquanto os mais iludidos celebravam o “legado” olímpico, os liberais argumentavam que vários “elefantes brancos” seriam deixados por aí, a um custo bilionário. Quando o governo entra na equação, esse costuma ser o resultado: não é implicância ideológica, mas simplesmente conhecer o mecanismo de incentivos em jogo.

Roberto Gomides, do Instituto Liberal, resumiu: “Governo Federal, Estado e Município não conseguem se entender para administrar um PARQUE Olímpico e tem gente achando que um dia vai ter SAÚDE Pública de qualidade”. Meu livro Privatize Já demonstrou com farta base empírica e ampla argumentação teórica que o governo é sempre um péssimo gestor.

Com isso em mente, só podemos lamentar, então, a notícia de que o aeroporto de Congonhas não deverá mais ser privatizado, mas sim ficar sob a administração da “Nova Infraero”:

Considerado a “joia da coroa” da aviação comercial no Brasil pela localização central, o aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, deverá ser o principal ativo de uma nova subsidiária de gestão de aeroportos em estudo no governo. Segundo o secretário de Aviação Civil, essa nova empresa ligada à atual Infraero ficaria responsável pela gestão dos aeroportos de Congonhas, Santos-Dumont, Curitiba e Manaus. A subsidiária seria aberta ao investimento privado, já que teria capital aberto.

“Não podemos abrir mão de gerir alguns terminais e não podemos deixar drenar essas receitas”, disse, ao rechaçar a hipótese de privatizar esses aeroportos. Localizados próximos ao centro das duas metrópoles brasileiras, os aeroportos centrais de São Paulo e Rio de Janeiro são considerados os mais rentáveis do sistema Infraero. Em Manaus, há atrativo pela grande movimentação de cargas. “Não trabalhamos com a possibilidade de concessão desses quatro aeroportos.”

Que pena! Perdem os usuários, com serviços certamente piores. Perdem os pagadores de impostos, com seus recursos drenados para usos indevidos com elevado risco de corrupção. Perdem as empresas de aviação, de locação de veículos, de serviços gerais oferecidos em aeroportos, tendo de negociar com um gestor estatal com tudo aquilo que isso envolve em termos de ineficiência e corrupção. Perdem todos, à exceção dos próprios governantes e dos “amigos do rei”, que adoram fazer negócios com políticos em vez de empresas privadas, pois as conexões valem mais do que a competência.

É para privatizar tudo! Os governos – municipais, estaduais e federal – não têm condições de administrar empresas, e essa não deve ser sua função. O estado não é um bom empresário. Deve focar em segurança, Justiça e ponto. Pedir para que seja empresário é a receita certa do desastre. Os brasileiros ainda não aprenderam isso?

Rodrigo Constantino

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Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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