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Rodrigo Constantino
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Danem-se os fatos! Ou: Estadão escorrega feio em manchete sobre Petrobras e Lava-Jato

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Por João Luiz Mauad, publicado pelo Instituto Liberal

O Jornal Estado de São Paulo estampa a seguinte manchete em sua primeira página, nesta segunda feira:

Com alta nas ações, Petrobras começa a superar Lava Jato

Já no portal de notícias, a manchete principal é a seguinte:

Com alta de 170% nas ações, Petrobras começa a reverter efeitos da Lava Jato

Tratam-se de manchetes tão politicamente enviesadas quanto irresponsáveis.  E olha que nem era na Folha de São Paulo.  Como é que pode alguém, em sã consciência, sequer sugerir que os problemas da Petrobras decorreram da Operação Lava-Jato?  Justamente a Lava-Jato, um dos remédios que está salvando a petroleira do câncer que se instalou na companhia e cuja metástase vinha matando-a aos poucos.

Qualquer jornalista minimamente bem intencionado e informado saberia que as causas dos problemas da Petrobras estão muito longe da Lava-Jato.  Saberia, por exemplo, que aquela estatal foi, durante a última década, pelo menos, um poderoso instrumento de desvio de recursos nas mãos dos petistas e seus apaniguados, bem como vítima de administradores incompetentes, empresários inescrupulosos e sindicalistas gulosos. Saberia que seus problemas decorreram não de circunstâncias exógenas, mas de sucessivas administrações voltadas exclusivamente para fins políticos, corporativistas e escusos, deixando sempre em último plano o interesse dos acionistas, inclusive dos acionistas indiretos — os pagadores de impostos que financiam a participação do governo naquela estrovenga.

Inúmeros são os fatos que comprovam isso. Além das fartas evidências de corrupção institucionalizada, desvendadas graças à Operação Lava-Jato, o uso político da empresa pode ser facilmente evidenciado pela ordem expressa do acionista controlador de manter, durante vários anos, um virtual “congelamento” dos preços da gasolina e do diesel no país, muito embora as cotações do petróleo no mercado internacional estivessem nas alturas.

A obrigatoriedade de aquisições com conteúdo local mínimo é outra decisão política que sangrou as finanças da empresa durante anos a fio e cujo maior símbolo está na criação da famigerada Sete Brasil, um consórcio da Petrobras com banqueiros amigos do PT, devidamente financiado pelo BNDES (sempre ele!). Sem falar do malogro de vários outros investimentos, aprovados sem o aval de estudos técnicos e econômicos, que visavam exclusivamente a interesses político-partidários, quando não a interesses escusos, como a construção das refinarias Prêmium I e II, o complexo petroquímico Comperj e a refinaria Abreu de Lima, uma sociedade de Lula com Chávez na qual o último entrou apenas com o sorriso e o discurso bolivariano-desenvolvimentista.

Do lado corporativo, são muitos os “acordos” estranhos firmados entre a direção da empresa e seus funcionários. No ano de 2014, por exemplo, apesar do enorme prejuízo (R$ 21,5 bilhões), a Petrobras distribuiu cerca de R$ 1,045 bilhão aos seus empregados, a título de participação nos lucros(?). Não por acaso, o Sindicato dos Petroleiros não pode nem ouvir falar de privatização que já sai logo fazendo greve, passeata e maldizendo os neoliberais.  Não é outra a razão por que, apesar da recente recuperação do valor patrimonial, os petroleiros continuam ameaçando greves e fustigando a atual administração, tachando-a de entreguista e privatista (quem dera!).

Em resumo, quando vejo manchetes como aquelas do Estadão, fico contente com a disseminação das redes sociais e dos pequenos portais de notícias, e de não sermos mais reféns dos grandes jornais e da grande mídia em matéria de informação.

Sobre / 

Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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