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Rodrigo Constantino
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Um blog de um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”.

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Devem os políticos de oposição subir nos palanques dia 13 de março?

FR71 SÃO PAULO - SP - 12/04/2015 - NACIONAL - MANIFESTAÇÃO IMPEACHMENT DILMA -  Manifestantes se reunem na Av. Paulista pra protestar contra corrupcao na Petrobras e contra o governo. Alguns grupo pedem impeachment da Presidente Dilma Rousseff. Protesto ocorre simultaneamente em outras cidades no Pais. FOTO: FELIPE RAU/ESTADÃO

FOTO: FELIPE RAU/ESTADÃO

A revolta com o PT é tão grande que tem levado uma parte considerável das pessoas a buscar alternativas mais, digamos, radicais. Jair Bolsonaro vem à mente, crescendo nas pesquisas. O fato de nossa “oposição” ser pusilânime demais, frouxa demais, em nada ajuda. O PSDB não soube assumir o papel de líder de um movimento organizado antipetista, até porque tem viés de esquerda e encontra dificuldade em adotar um discurso mais direitista, necessário para o país hoje.

Nesse ambiente, alguns seguidores de Bolsonaro chegaram a atacar Kim Kataguiri, do Movimento Brasil Livre, por ter “tucanado” demais. O mesmo valeria para Rogério Chequer, do Vem Pra Rua. A aproximação entre esses movimentos pró-impeachment e os políticos vistos como fracos tem gerado muitas críticas. Mas será que o melhor é manter os políticos de oposição, mesmo oportunistas, longe das manifestações?

Acredito que não, que esse “purismo” é contraproducente, e que é hora de algum pragmatismo para todos aqueles que entendem qual a verdadeira prioridade no momento: tirar o PT do poder. Nesse contexto, a aparente mudança de postura de Aécio Neves é bem-vinda:

O presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), usou o termo “pós-Dilma” para defender a construção de uma agenda para o país e defendeu a atuação da oposição no apoio aos protestos pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff convocados para o dia 13 de março.

— A saída para o Brasil no pós-Dilma, que eu espero que se dê o rapidamente possível, terá que ser dada com diálogo, com a construção de uma nova agenda, que passe por confiança, por credibilidade, que a presidente, infelizmente para todos nós brasileiros, já perdeu — disse Aécio.

O termo foi usado ao comemorar a filiação do senador Ricardo Ferraço, que deixou o PMDB fazendo críticas ao apoio daquele partido ao governo Dilma Rousseff.

— Ricardo Ferraço terá um papel estratégico, ao lado da liderança da minoria aqui no Senado Federal, mas também ao meu lado na direção nacional, não apenas na construção da agenda do pós-Dilma, mas também de uma articulação política que dê estabilidade ao país quando essa triste página da nossa história protagonizada pelo PT e pelos aliados seja definitivamente virada — disse o presidente do PSDB.

As manifestações do próximo dia 13 foram convocadas por movimentos que se autointitulam apartidários, mas Aécio afirmou que a oposição está se “incorporando” a esta ação. Ele e demais lideranças da oposição se reuniram nesta terça-feira com representantes dos movimentos.

— Nós não vamos nos omitir. O PSDB e os demais partidos de oposição estão convocando os brasileiros para que possam ir às ruas no próximo dia 13 de março e dar um basta definitivo a isso que vem acontecendo no Brasil. A presença dos brasileiros nas ruas certamente pode abreviar o sofrimento de tantos com alto desemprego, inflação sem controle e com a falta de esperança — disse o tucano, antes da reunião.

Ora, sejamos realistas: para tirar o PT logo do poder, toda ajuda é necessária, principalmente a dos políticos que podem votar pelo impeachment! Tentar manter uma postura purista e afastar os tucanos dessa luta é bobagem. Primeiro, porque eles têm a máquina partidária para colocar em funcionamento e ajudar a mobilizar manifestantes. Segundo, porque só eles podem articular no Congresso o acordo para levar ao impeachment.

Carla Zambelli representou a Aliança, grupo que reúne 45 movimentos, e afirmou que foi uma decisão dos manifestantes buscar apoio político. A argumentação é de que não dá para ser “hipócrita” e negar que é preciso ter apoio do Congresso para conseguir aprovar o impeachment de Dilma.

– Quando o pedido de impeachment foi aceito e começou a tramitar, nós precisamos do apoio do Congresso. Diante disso que se decidiu unir as ações – afirmou Carla.

Ela ressaltou que a união a grupos políticos para a defesa da saída de Dilma não significa um apoio dos movimentos para um momento posterior, seja com o vice Michel Temer assumindo ou no cenário de uma nova eleição.

– A ideia é uma união pelo impeachment. Se no day after qualquer um dos que teve aqui aparecer envolvido em corrupção, na Lava-Jato ou outra questão, se tiver que bater, nós vamos bater – disse a representante da Aliança.

Está certa! Alguns desses líderes das manifestações poderão encarar a fama como trampolim para uma carreira política no futuro? Sem dúvida! Lindbergh Farias em à mente, mas com uma importante diferença: ele era um esquerdista atacando Collor para defender algo ainda pior. Os jovens do MBL são liberais, que atacam o PT (e também o PSDB, diga-se de passagem) para defender um modelo bem melhor. Não seria bom tê-los na política no lugar do PT e do PSOL?

Todos precisam compreender a urgência do momento. Não é hora de preciosismo, de dogmatismo, de purismo. É hora de uma ampla aliança nacional contra o PT, pois o país não aguenta mais três anos de Dilma. E os tucanos são fundamentais nesse processo, como grande parte do PMDB. Depois poderemos voltar nossas energias contra eles. Mas só depois que o PT estiver derrotado, afastado do poder, parado de destruir nosso país. Até lá, todo foco no combate ao lulopetismo!

Rodrigo Constantino

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Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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