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Rodrigo Constantino
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Um blog de um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”.

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Escolados na violência: “desigualdade” não é causa da criminalidade

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Notícia do GLOBO:

Ele assistia dia sim, outro também, a assaltos na vizinhança. Poderia ter se conformado e ficado apenas torcendo para não virar alvo dos bandidos. Mas, indignado com a falta de segurança, o morador de Piedade foi além. Há dois anos, assumiu um papel que deveria ser do poder público e espalhou câmeras pelas ruas Sousa Cerqueira e Xisto Bahia, que viraram território livre de criminosos. Na rotina de ataques gravados, flagrou desde um assalto em que uma mulher ficou sem a bolsa até o roubo de um carro a apenas 20 metros de uma blitz da PM. A violência arquivada em pen drive, depois das muitas queixas que não comoveram a polícia, ganhou um capítulo que o solitário denunciante nunca imaginou ver em sua novela diária. Um bando invadiu, na segunda-feira à noite, a Escola Municipal João Kopke, rendeu alunos que assistiam à aula, roubou celulares, outros objetos e ainda espancou, com socos e chutes, uma professora apenas porque ela se atrapalhou na hora de entregar a chave de seu carro para a fuga. 

Faltava pouco para as 21h de segunda-feira quando quatro bandidos, com pistolas, entraram na escola, que, à noite, mantém turmas com alunos da rede estadual. Alguns estudantes juram que um deles portava um fuzil. Os criminosos percorreram o corredor do colégio, entrando nas salas para assaltar os alunos. Alguns estavam em aula, outros faziam provas. Como uma adolescente de 17 anos, que fazia avaliação de inglês, espanhol e português, quando foi surpreendida por um ladrão. Segundo ela, o bandido mandou um outro estudante recolher os celulares de todos.

— Fiquei muito assustada e tremendo. Eles nos ameaçavam, e um deles chegou a soprar o cano da pistola. Depois que foram embora, larguei as provas e abandonei a escola. Saí correndo. Não parei para nada — disse a jovem, que será matriculada pela mãe numa escola particular depois de chegar em casa traumatizada, aos prantos.

A professora que apanhou dos bandidos leciona matemática. Ela tem 53 anos e ficou muito perturbada ao ser abordada pelos criminosos, que pretendiam fugir em seu carro. Para alguns alunos, ela se atrapalhou para entregar as chaves, o que teria motivado as agressões. Outros contaram que os assaltantes podem ter achado que ela tentava esconder a bolsa para que não a levassem. Há relatos de que a professora desmaiou, de tão nervosa. Ela chegou a ir à 24ª DP (Piedade), mas, abalada, deverá voltar nesta quarta-feira para ser ouvida pelos policiais.

— Um dos bandidos disse: “Está reagindo a assalto? Quer morrer?” E partiu para cima da professora com socos e pontapés — contou um dos jovens que, aterrorizado, assistiu à cena.

Esse é o cotidiano em muito bairro e escola do país. Como esperar que esses alunos tenham condições de aprender o necessário para competir no mercado? Como esperar que os professores tenham condições de lecionar sem um ambiente com o mínimo de segurança e tranquilidade?

A ousadia dos bandidos é crescente. E a “desigualdade” não explica isso, ao contrário do que diz a esquerda. Há alunos igualmente pobres do outro lado, tentando estudar, aprender, para ser alguém na vida. São a maioria. Enfrentam os obstáculos terríveis para tentar o caminho certo.

A esquerda adora tripudiar da polícia, vista como “fascista”. Adora tratar bandido como “vítima da sociedade”, o que é um desrespeito com todos os pobres que se esforçam diariamente para se sustentar ou se preparar para a vida honesta de trabalhador.

Nosso ensino público é um tremendo fracasso. As causas não têm ligação com o que aponta a esquerda. Não falta verba pública apenas. Há o problema da doutrinação ideológica por parte de militantes disfarçados de professores. Há a falta de segurança em muitas escolas, dominadas pelos bandidos. Há falta de disciplina a muitos alunos violentos e desrespeitosos. Há uma mentalidade marxista de que o rico é opressor e o pobre, oprimido, fomentada por Paulo Freire, o “patrono” de nossa “educação”. E há a mentalidade igualmente paulofreireana de que os professores têm tanto a aprender com os garotos do gueto como estes com os professores.

Enfim, está quase tudo errado. E nesse cenário não há como imaginar o Brasil melhorando nos rankings internacionais do Pisa, disputando vagas no mercado internacional de trabalho, liderando o desenvolvimento de novas tecnologias. O PT esteve no poder por longos 13 anos, e não tivemos melhora alguma nos resultados. A esquerda vai mesmo insistir em suas receitas fracassadas, demandar somente mais recursos públicos para esse modelo falido?

Rodrigo Constantino

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Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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