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Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino

Um blog de um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”.

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Esquerda radical prefere a versão em vez de o fato

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Quem acompanha os artigos de Samuel Pessôa na Folha sabe que o economista ligado aos tucanos sempre focou nos argumentos, nunca em ataques pessoais. Não concordava sempre com ele, mas achava louvável seu esforço de debater somente ideias e fatos, sem cair na tentação de atacar as intenções alheias. Confesso que muitas vezes achei seus artigos até um pouco enfadonhos, pois repletos de números e tecnicidades.

Mas paciência tem limite, especialmente quando, do outro lado, há uma legião que não liga a mínima para debates honestos. Falo, claro, do PT, que nunca prezou pelo bom debate de ideias, por trocas sérias que pudessem aproximar ambos os lados da verdade. Petistas têm aversão aos fatos, pois estes derrubam todo seu sensacionalismo populista.

Fico feliz, então, que a ficha esteja caindo para muitos tucanos. Eles aturaram por tempo demais a perfídia petista como se do lado de lá houvesse interlocutores com honestidade intelectual dispostos a debater de verdade. Ledo engano. O PT não quer saber de nada disso. Só quer insistir numa narrativa oportunista que o ajude a ficar no poder, nada mais.

Na coluna de hoje, Samuel Pessôa parece ter se dado conta disso, depois de ser alvo de vários ataques pessoais de gente que, incapaz de rebater seus argumentos, prefere acusar suas intenções, supostamente ruins, insensíveis. A esquerda radical, que “acusa” o próprio PSDB de ser de direita, só deseja o monopólio das virtudes, nem que para tanto tenha que ignorar os fatos. Diz Pessôa:

[…] parece que fazer política tendo como hipótese que tudo que interessa é a versão, e não, os fatos, é consistente com um grupo político que crê não existir restrições econômicas nem fundamentos econômicos de fato. Ou seja, não há fato econômico.

[…]

A narrativa desses textos pressupõe que qualquer alocação econômica é possível se houver economia política que a suporte. Se a inflação aumenta, é porque os empresários conseguem se impor sobre o resto da sociedade, não por que há excesso de demanda sobre a oferta.

Se o crescimento é pouco, é porque os empresários fazem greve de investimento. Não porque, em função de fatores fundamentais (baixa qualidade educacional, baixa taxa de poupança, complexidade tributária e institucional em geral, excesso de litigiosidade, intervencionismo desastrado no âmbito da nova matriz econômica, etc), o crescimento da produtividade é baixo e cadente.

Se os juros são elevados é porque uma conspiração dos rentistas com a diretoria do BC os mantêm assim, e não porque a taxa de poupança brasileira é baixa. Se há uma crise gravíssima, como a atual, ela é profecia autorrealizável produzida pela imprensa e pelos colunistas liberais, que alimentam o terrorismo de mercado. Eu sou um dos culpados!

Bem-vindo ao meu mundo, Pessôa! O PSDB tratou com um respeito imerecido o PT por tempo demais, sem perceber que isso jamais aliviaria o partido dos ácidos ataques petistas. Os tucanos acharam que era possível ter paz e preservar uma esfera de debate construtivo se tratassem os petistas como iguais, como pessoas que discordam, mas com legitimidade e desejo de avançar na compreensão do mundo. Que ingenuidade!

Hoje, os tucanos são alvos dos petistas com base em suas “terríveis intenções”. São conspiradores, defensores dos rentistas, dos especuladores, lacaios do capital e dos ianques etc. Ou seja, não adiantou nada o PSDB agir com delicadeza e gentileza para com bárbaros indecentes. O resultado foi o mesmo: o PT não faz distinção entre um liberal “radical” como eu e um tucano moderado social-democrata. Todos nós somos ruins, pois essa é a versão que importa, para seu único objetivo, que é o poder.

Há um exemplo claro na Folha hoje mesmo, com uma entrevista de Márcio Pochmann. O “economista” ligado ao PT insiste na ladainha de que a elite resiste à ascensão dos pobres, e por isso combate tanto o PT. Ele é incapaz de admitir o fato ululante de que estamos em grave crise por causa das medidas inflacionistas do governo petista, e prefere culpar o “ajuste fiscal” pelos problemas, para vender a versão ridícula do partido. É muita falta de honestidade!

Espero, sinceramente, que a esquerda civilizada tenha aprendido a lição. Não há como fazer concessões a quem simplesmente não quer debater de verdade, a quem prefere nos eliminar em vez de dar o braço a torcer e reconhecer seus próprios erros. Os petistas não gozam de honestidade intelectual, e se isso não ficou claro até agora, então se trata de uma cegueira espantosa por parte dos tucanos.

Da mesma forma que o “partido” de Lula faz mal à democracia, os “economistas” ligados ao PT fazem muito mal ao debate econômico no país. No dia em que as divergências legítimas entre os tucanos e os liberais forem debatidas com respeito e honestidade, sem a poluição dos “desenvolvimentistas” que deliberadamente matam todos os fatos para salvar sua narrativa ideológica, aí sim o Brasil terá avançado e dado um passo importante rumo ao desenvolvimento e à maturidade.

Rodrigo Constantino

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Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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