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Rodrigo Constantino
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A história de Eike Batista: como engambelar tanta gente por tanto tempo

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Por João Luiz Mauad, publicado pelo Instituto Liberal

Eike Batista voltou às manchetes dos principais jornais do país.  Agora como foragido da justiça e procurado pela Interpol.  Consta que o dono do Grupo X e seus asseclas irrigaram com montanhas de dinheiro o baronato do ex-governador do Rio, Sérgio Cabral Filho, em troca de contratos e facilidades junto ao governo do Estado, onde mantinha a maioria dos seus negócios.

Eike Batista chegou, em certo momento de sua trajetória, a ser visto quase como uma unanimidade nacional, festejado pelos governos, Brasil afora, como a locomotiva do empreendedorismo tupiniquim.  Um homem possuidor de números grandiosos e de inúmeras virtudes no currículo, mas principalmente alguém que detinha o velho “espírito animal” dos grandes empreendedores, de que falava o notório Keynes.

A imprensa de Pindorama o tratava senão como um verdadeiro ídolo pelo menos como um modelo a ser seguido.  Numa reportagem de 2011, por exemplo, a Exame – uma espécie de Revista Caras do empresariado brasileiro – publicou uma matéria com os 15 conselhos de Eike aos jovens que quisessem se transformar num bilionário (nota: embora não sejam conselhos ruins, eu acrescentaria mais um: faça o que eu digo, e não o que eu faço).  Enfim, Eike era considerado, tanto por investidores quanto pelos governos e a mídia, quase um oráculo.

O que é estarrecedor nessa estória toda é a facilidade com que Eike Batista, um empresário medíocre, que sabidamente administrava os negócios com um olho nos lucros e outro nos astros, além de gastar dinheiro a rodo com despesas pessoais (viagens, carros, iates, aviões, mansões, etc.), conseguiu enganar tanta gente (aqui e alhures) durante tanto tempo, a ponto de ter-se tornado, há apenas poucos anos, o sétimo homem mais rico do planeta – com pretensões de chegar ao primeiro lugar.

É claro que um pouco disso pode ser creditado ao ímpeto empreendedor e à inegável virtude de marqueteiro de Eike.  Quem não se lembra, por exemplo, das gordas doações daquele empresário para programas sociais – “Criança Esperança”, ONG da Madona, Hospital do Coração Infantil, entre outros -, que lhe garantiam generosa publicidade na mídia, além de uma extremada simpatia dos jornalistas e outros opinantes?

Mas a principal “virtude” de Eike, capaz de engabelar milhões investidores mundo afora, foi mesmo a sua proximidade com o governo petista.  Além de amplo acesso a financiamentos e contratos públicos  – Caixa, BNDES, Petrobras e Banco do Brasil estão listados entre os principais credores do grupo -, Eike estava sempre na companhia de algum governante poderoso, notadamente o ex-presidente Lula, o ex-ministro José Dirceu e o ex-governador Sérgio cabral, com os quais mantinha contatos frequentes e grandes afinidades.  Foi Lula, por exemplo, bem ao estilo nacionalista de Donald Trump, quem o convenceu de que produzir “tudo” no Brasil, importando o mínimo possível, a exemplo do que fazia a Petrobras, seria vantajoso não só para o país como para as empresas do grupo. (Pelo visto, não era, pois tanto a Petrobras quanto Eike deram com os burros n’água com essa estratégia).

Era natural, portanto, que, mirando toda aquela intimidade de Eike com os poderosos de Pindorama e a empolgação de boa parte da mídia especializada com ele, os investidores se vissem tentados a acreditar que o governo seria uma espécie de avalista dos ímpetos empresariais do homem, e que os negócios dele não tinham como dar errado, apesar de os balanços de seus empreendimentos nem sempre mostrarem números alvissareiros.  Deu no que deu.  Houve gente que perdeu quase tudo apostando nas ações da OGX, suas subsidiárias e coligadas.

No final das contas, para o governo, os prejuízos causados por decisões equivocadas são “contabilizados” como meros acidentes, como disse certa vez o ex-presidente do BNDES, Luciano Coutinho.  Para os investidores, entretanto, pelo menos para aqueles que surfaram “na onda” do governo, esses prejuízos podem ter representado a poupança de uma vida inteira.

Resumo da ópera: a eterna compulsão dos governos por intrometer-se onde não deveriam gera efeitos nocivos não apenas para os pagadores de impostos, mas também para poupadores, investidores e consumidores.  Esperemos que Pindorama tenha aprendido a lição.

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Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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