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Rodrigo Constantino
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Um blog de um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”.

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Jogar todos os políticos no mesmo saco podre é algo que só interessa aos mais podres do saco!

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De uns tempos para cá, minhas discordâncias com Reinaldo Azevedo aumentaram bastante. Mas isso não quer dizer, claro, que eu discorde de tudo o que ele diz. Uma das coisas que ele tem atacado e com a qual estou plenamente de acordo é a tentativa de alguns de misturar tudo, o joio e o trigo, colocando toda a classe política no mesmo saco podre.

É verdade que fica cada vez mais difícil achar trigo ali, e que a forma com a qual Reinaldo defende os tucanos fica parecendo muito suspeita, além de ser impossível reabilitar esses caciques perante a opinião pública. Mas isso não quer dizer que não existam diferenças entre o joio, uns mais podres do que os outros.

Já escrevi inúmeros artigos argumentando que o PT é muito pior do que o PSDB, e isso me soa algo um tanto evidente. A quem interessa, então, vender a ideia de que ambos são iguais, e que os “malfeitos” do PT se limitam a um simples “caixa dois”? Não! O PT montou o maior esquema de corrupção da história do Brasil, e tentou destruir nossa democracia, impor um estado totalitário nos moldes venezuelanos. Isso é infinitamente mais grave do que receber recursos por fora para financiar a campanha (o que é crime e deve ser punido).

Mas claro que os petistas e seus defensores vão fazer de tudo para embaralhar as cartas, para fingir que todos são iguais. Esse discurso é música para seus ouvidos! Um caso típico é Celso Rocha de Barros, que sempre dá um jeito de elogiar o PT e atacar os tucanos e Bolsonaro, que ele considera “direita” sem muita distinção. Os petistas saíram do “nunca antes na história deste país” para o “sempre antes na história deste país”, forçando a barra ao reconhecer um pequeno crime para ocultar outros bem maiores. Diz o sociólogo de esquerda em sua coluna hoje:

De qualquer jeito, fica claro que o sistema era esse, e já fazia tempo que era. Os esquemas vinham de décadas. Portanto, a primeira lição a tirar do episódio é: não, nunca houve uma época em que tudo fosse mais honesto.

O que havia eram ditaduras, como a que Bolsonaro apoiou, que teriam fuzilado Sergio Moro e Deltan Dallagnol quando suas investigações chegassem no primeiro assessor de ministro.

Em segundo lugar, não é razoável supor que todos esses políticos sejam gente pior que nós. Se todos aceitaram dinheiro do cartel, é porque devia mesmo ser muito difícil se eleger sem aceitá-lo. Portanto, enquanto a polícia e o Judiciário cumprem seu papel, precisamos pensar em formas de tornar nossas campanhas mais baratas. Se não mudarmos essas regras, mesmo que elejamos 500 Pepes Mujicas em 2018, em 2022 todos serão Eduardos Cunhas.

[…]

Precisamos repensar o modelo de negócios brasileiro e precisamos de campanhas mais baratas. E, talvez, agora que ninguém pode fingir que é moralmente superior ao outro, consigamos discutir isso como adultos.

Ninguém é moralmente superior ao outro? Diga isso por conta própria! Então são todos iguais ao Lula, ao Palocci, ao Dirceu? A quem essa narrativa relativista interessa? Denis Rosenfield, em sua coluna de hoje, comenta sobre o perigo dessa postura:

A classe política foi literalmente dizimada, deixando de exercer a sua função de representatividade. Como pode uma democracia sustentar-se sem uma adequada representação política, respaldada por partidos idôneos e com ideias de nação?

A situação é tanto mais problemática do ponto de vista institucional que a linha sucessória presidencial estaria atingida caso os presidentes da Câmara e do Senado fossem condenados.

Não se trata de fazer um juízo de valor sobre essas pessoas, que têm o seu direito legítimo de defesa, mas de apontar para uma questão da maior gravidade, qual seja, a de uma democracia que pode se tornar acéfala. Uma sociedade sem alternativas pode rumar para aventuras, agarrando-se a qualquer pessoa que lhe apareça como uma âncora, por mais falsa que seja.

A sociedade hoje percebe a classe política como um bando de corruptos, não fazendo mais a necessária distinção entre bons e maus políticos. Coloca-os todos no mesmo saco, como se não houvesse diferença a ser feita.

E parlamentares e ministros de nada ajudam, pois pensam somente em sua própria salvação. Algo chamado Brasil ou bem público simplesmente desaparece do horizonte. O sucesso do governo Temer torna-se tributário da aleatoriedade de tais movimentos, pois estratégia vem a significar sobrevivência.

[…]

A situação da democracia brasileira é deveras preocupante. O que a Lava- Jato está mostrando é a existência de um propinoestado, equivalente a um narcoestado, em uma versão mais branda e, aparentemente, politicamente aceitável. Não convém, porém, desconhecer a gravidade da situação, edulcorada pela cordialidade da classe política entre si, que dá as costas para o país.

Há um divórcio crescente desta classe política em relação à sociedade, cuja opinião é de condenação moral generalizada. Ninguém é poupado. E a democracia encontra-se ameaçada se passos importantes não forem dados no sentido da moralidade pública pelo governo, pelo Senado e pela Câmara.

De fato, os próprios políticos estão se esforçando para que a narrativa canalha dos petistas pareça palatável. Em busca da salvação pessoal, esses corruptos aceitam colocar os crimes mais graves do PT no mesmo balaio para pregar uma “anistia” geral, fingindo que tudo o que aconteceu é normal e sempre foi assim. Agindo dessa forma, esses políticos safados quase nos convencem de que são tão ruins quanto os petistas mesmo, mas depois lembramos que a corrupção não é o pior pecado do PT, e sim sua ideologia totalitária. Ou alguém acha que se Nicolás Maduro fosse honesto estaria tudo bem na Venezuela?

Ao reagir dessa forma, a classe política toda cai em descrédito e gera mais insegurança ainda no país. O clima fica propício para aventureiros ou “outsiders”. Como diz Paulo Guedes em sua coluna de hoje, Ciro Gomes captura parte do público revoltado à “esquerda”, com seu discurso de que alertou para os riscos de aproximação do PT com o PMDB, enquanto Bolsonaro captura parte à “direita”, dos que querem ordem. Mas a rejeição a ambos é grande, o que abriria espaço para um “outsider” mais ao centro mesmo, de acordo com as preferências históricas do eleitorado brasileiro:

A maioria eleitoral brasileira estará, entretanto, onde sempre esteve: no “centro”. Mas a novidade incontornável para candidaturas tradicionais como as de Geraldo Alckmin, José Serra, Aécio Neves e mesmo Michel Temer é que as investigações da Lava Jato derrubam sua popularidade e suas chances eleitorais. E, quando o establishment perde a decência, as eleições seguintes são disruptivas. A corrupção sistêmica lança sombras de omissão e cumplicidade sobre as principais lideranças partidárias. Mesmo candidatos do “centro” cujas biografias resistam às investigações terão poucas chances de derrotar nas urnas os “outsiders” de um degenerado sistema político. E, para agravar a descrença no Congresso, as propostas de anistia em causa própria, de parlamentarismo e de eleições indiretas por listas partidárias fechadas soam como bofetadas na face de uma já enfurecida opinião pública.

Tudo isso aumenta o clamor popular pelos “outsiders”. Se as candidaturas à “esquerda” e à “direita” têm limites naturais de representatividade, e portanto de crescimento, e a maioria dos eleitores de centro será disputada com vantagem por “outsiders” diante dos candidatos convencionais, torna-se bastante provável a vitória eleitoral desses “outsiders” em 2018, não apenas para a Presidência da República, mas também para governadores e para uma avassaladora renovação parlamentar, como “nunca antes na História deste país”.

Concordo com sua análise. Por mais que muitos de meus leitores sonhem com a vitória de Bolsonaro para atacar “tudo isso que está aí”, e por mais que eu mesmo pense que ele tem chances concretas e que, se for bem assessorado, pode até fazer um governo bom, não creio que esse será o resultado. E aqui não faço torcida, mas análise. Bolsonaro tem grande rejeição e não pode ser visto exatamente como alguém de fora do establishment, estando em seu sétimo mandato como deputado e com os filhos também na política.

Ao que tudo indica, e por culpa da própria classe política, 2018 será mesmo o ano de algum “outsider”. Espera-se que seja alguém que venha pela direita, e não pela esquerda, como um Joaquim Barbosa da vida.

Rodrigo Constantino

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Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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