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Rodrigo Constantino
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Um blog de um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”.

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Lula acha que políticos são melhores do que procuradores concursados

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A fala de mais de uma hora do ex-presidente Lula, regada de mimimi, de vitimismo calhorda, de sensacionalismo barato, de escárnio, parece que surtiu o efeito desejado em boa parte da imprensa, sempre disposta a aliviar para o lado do “metalúrgico”. Logo compraram afoitos a pose de vítima perseguida do “maestro da orquestra criminosa”.

Pergunto: leram a denúncia do MPF? Não? Ah, foi o que pensei. Está aqui então, para que não repitam que faltam evidências e provas para as graves acusações. Deem uma olhada na lógica dos fatos, no elo dos escândalos, no papel de destaque do ex-presidente. E digam depois, às suas próprias consciências, se é mesmo possível tratá-lo como vítima de alguma coisa.

Pois bem: o brasileiro jeca curte esse chororô dos canalhas. Bastou bancar o coitadinho que logo angaria simpatia. O milionário Lula ganhou presentes, relógios de ouro, mas, tadinho!, nem sabe o que fazer com essas coisas de luxo. Usa um Citzen baratinho. E precisava de ajuda para guardar todos esses bens “inúteis”. A empreiteira, o banco estatal, todos resolveram ajudá-lo, por solidariedade, entendem?

Cara de pau! Cínico! Cafajeste! Josias de Souza destacou um trecho de sua fala que demonstra como sua visão de mundo é tosca, como o ex-presidente usa os votos como escudo contra a lei, atacando seus guardiões concursados, pois não tiveram votos:

“Eu, de vez em quando, falo que as pessoas achincalham muito a política. Mas a profissão mais honesta é a do político. Sabe por quê? Porque todo ano, por mais ladrão que ele seja, ele tem que ir para a rua encarar o povo, e pedir voto. O concursado não. Se forma na universidade, faz um concurso e está com emprego garantido o resto da vida. O político não. Ele é chamado de ladrão, é chamado de filho da mãe, é chamado de filho do pai, é chamado de tudo, mas ele tá lá, encarando, pedindo outra vez o seu emprego”.

O raciocínio de Lula é límpido como água de bica. Mas vale a pena clareá-lo um pouco mais. Para o morubixaba do PT, política não é sacerdócio, mas profissão. E se parece muito com a profissão mais antiga do mundo. O político, ainda que seja um biltre, um pulha, um larápio será sempre mais honesto do que alguém capaz de molhar a camisa numa universidade para ingressar por concurso no Ministério Público ou na magistratura. Toda vilania, toda calhordice, toda ladroagem será perdoada se o político for para a rua “encarar o povo e pedir voto.”

De acordo com a força-tarefa de Curitiba, Lula é o “comandante máximo” da corrupção. Presidiu uma “propinocracia” urdida para assegurar o enriquecimento ilícito, a governabilidade corrompida e a perpetuação no poder. Lula abespinhou-se com a acusação de que comprou apoio congressual.

“Ontem eu vi eles falarem dos partidos políticos, dos governos de coalisão, vocês sabem que muita gente que tem diploma universitário, que fez concurso, é analfabeto político”, declarou. “O cara não entende do mundo da política. Não tem noção do que é um governo de coalisão. Ele não tem noção do que é um partido ser eleito com 50 deputados de 513 e que tem que montar maioria.” Foi como se o pajé petista dissesse: “Num Legislativo em que todos os gatunos são pardos, mensalões e petrolões não são opcionais, mas imperativos.”

[…]

No fim das contas, um comício que serviria para contestar acabou confirmando as formulações dos analfabetos políticos da Lava Jato. Enquanto procura demônios de ocasião para os quais possa transferir suas culpas, Lula revela o porquê do surgimento de fenômenos como o mensalão e o petrolão. Se a urna é um sabão em pó moral, nada mais natural que políticos como Collor, Renan, Cunha e um incômodo etcétera recebessem, sob Lula, licença para plantar bananeira dentro dos cofres da Petrobras e adjacências.

Lula é realmente o político mais podre de uma legião de frutos podres que tomou conta da política brasileira. Os demais podem ser canalhas também, mas não são tão cínicos, não possuem a mesma cara de pau, desfaçatez, frieza que beira à psicopatia.

O triste é o papel da cúpula tucana, principalmente do ex-presidente FHC, que resolveu bancar o “elegante” e “isento”, mas acaba apenas dando munição aos petistas. FHC disse lamentar o “momento difícil” por que passa o ex-presidente Lula e preferiu não comentar as declarações feitas pelo petista momentos antes:

“Eu acho que o presidente Lula passa por um momento difícil. O que ele diz eu não vou contestar. Acho que não cabe a mim nesse momento ficar fazendo comentários sobre o que ele disse ou que deixou de dizer. Eu acho que é um momento em que ele está desabafando e dizendo o que está ao seu alcance para justificar-se. Eu lamento, sinceramente. É sempre de lamentar uma pessoa que teve a trajetória que teve o presidente Lula ter chegado a esse momento com tanta dificuldade, então eu prefiro não fazer comentários”.

Que trajetória?! Lamentar o momento difícil? Isso parece adequado para se dizer quando é um caso de doença, não quando é a colheita de tudo aquilo que o bandido plantou! FHC se mostra não um gentleman, mas um pusilânime conivente com o marginal da quadrilha petista. E se FHC tem um atenuante por sua ligação histórica com Lula, o mesmo não se pode dizer de Aécio Neves.

Sentado ao lado de FHC, o senador Aécio Neves, que é presidente do PSDB, disse que seguiria a recomendação do ex-presidente e falou pouco sobre o caso. “Compreendo o momento extremamente difícil por que passa [ex] presidente Lula. O único equívoco que eu vejo, e não é de agora, é recorrente, é que sempre que ele se vê em dificuldades, tenta transferir a outros responsabilidades que são suas”, declarou.

O único equívoco? Como assim? Lula atacou a Justiça, os promotores, os opositores, mencionou Chávez e Fidel Castro como companheiros da democracia, apelou para o escárnio, tudo isso para não rebater um só ponto concreto da denúncia do MPF. E os tucanos falam que lamentam a situação de Lula? Deveriam lamentar a situação do país, devastado pelo lulopetismo!

Esse era o momento para a oposição fazer oposição, para massacrar Lula, o PT, o petismo. Mas os tucanos não conseguem mesmo. É de sua natureza ser “mulher de malandro”, apanhar e pedir desculpas, sair quase em defesa dos bandidos que querem lhe destruir. Falta sintonia com a população brasileira, com as pessoas decentes deste país, cansadas do cinismo de Lula, do vitimismo dos corruptos.

O Brasil está do lado dos “concursados analfabetos em política”, pois a alternativa, pelo visto, são os safados que transfomaram nossa política em bordel, reforçando a tese de que política é mesmo bem semelhante à profissão mais antiga de todas. E Lula é o maior cafetão de todos!

Rodrigo Constantino

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Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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