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Rodrigo Constantino
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Um blog de um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”.

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O Bacen não goza de independência alguma, e esse é o grande problema

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O Banco Central do Brasil (Bacen), após guinada no discurso de seu presidente Alexandre Tombini usando como pretexto as previsões negativas do FMI, surpreendeu o mercado e não subiu a taxa Selic nem em 0,25 ponto percentual, decidindo mantê-la inalterada (a expectativa inicial era de 0,5 pt). A inflação vai continuar em alta, assim como o dólar, que já abriu hoje em disparada rumo a R$ 4,17.

O Bacen gerou um baita ruído desnecessário, e se mostrou capacho do Planalto, como tem sido no governo Dilma todo. Alguns industriais como Benjamin Steinbruch, que vive martelando nessa tecla, os sindicatos, Belluzzo e companhia vibram. Mas a decisão é péssima para o país e para a economia já em frangalhos. Não só pela decisão, mas pela forma em que ela foi tomada.

Qualquer economista sério sabe da importância de um banco central independente no combate à inflação. Afinal, inflação é um fenômeno monetário, ou seja, depende da quantidade de moeda e crédito disponíveis na economia. E essas variáveis quem controla é o banco central.

Sempre na história que um governo foi capaz de abusar da sua capacidade de emitir dinheiro ou crédito ele o fez. A autonomia operacional (de preferência garantida pela independência legal) do banco central foi o caminho encontrado pelos países desenvolvidos para limitar esse poder de estrago. O Brasil não tem tal instituição sólida, e sob o PT ficou claro que quem mandava era o governo mesmo, especialmente na gestão de Dilma.

Alguns leitores questionam, de maneira legítima, se seria desejável subir a taxa em meio a essa recessão severa. A resposta é sim. O maior culpado dessa situação é o governo, com sua gastança irresponsável. Mas os técnicos do Bacen não controlam os gastos públicos, a política fiscal, e possuem apenas o instrumento monetário. Ora, se o governo não faz o dever de casa, então cabe ao Bacen perseguir a meta de inflação custe o que custar.

É como matar uma formiga com uma bazuca, apesar de nossa inflação não ser uma formiga, e sim um dragão violento e faminto. Mas que seja: é como matar o dragão com uma bomba atômica! Talvez seja isso mesmo, mas qual a alternativa? Deixar a inflação lamber de vez? Voltar para os patamares de antes do Plano Real?

Quando Gustavo Franco, então na presidência do Bacen, elevou a taxa de juros para controlar a inflação, o custo econômico foi alto. Mas não foi uma decisão errada. O erro foi a cavalaria não chegar em seu resgate, deixando o Napoleão lá, sozinho no inverno russo. Uma metáfora que Paulo Guedes sempre usou de forma apropriada. Cabe ao Bacen derrotar o inimigo, mas depois ele precisa do suporte da retaguarda, o lado fiscal.

No caso petista não temos nem uma coisa, nem outra. O Bacen é subserviente ao Planalto, Tombini está no comando por ser fraco, não ter autonomia. E a turma da Unicamp venceu: vem aí a segunda “nova matriz econômica”. O governo nem começou a fazer o “ajuste fiscal”, continua expandindo gastos, e o Bacen jogou a toalha, abandonou seu combate à inflação com o instrumento que tem, preferindo ajudar de forma politiqueira o governo. Uma combinação explosiva!

Preparem-se, meus caros, pois o Brasil se parece cada vez mais com a Argentina. A de ontem, que fique claro, pois hoje há no poder um liberal fazendo as duras reformas necessárias. Até onde Mauricio Macri vai conseguir levar esse ajuste ainda não sabemos. Mas a Argentina ao menos respira aliviada pois estancou a sangria e pode sonhar com um futuro melhor. Nós, brasileiros, não somos capazes de enxergar o horizonte, ao menos não com o PT no poder. Serão nuvens negras, sombrias, pairando sobre nossa economia até essa turma inflacionista continuar dando as cartas. Socorro!

Rodrigo Constantino

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Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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