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Rodrigo Constantino
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Um blog de um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”.

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O Rio em estado de calamidade

O Rio é lindo! Ou não...

O Rio é lindo! Ou não…

O governo do Rio de Janeiro decretou estado de calamidade para tentar obter quase R$ 3 bilhões do governo federal, que acena com uma carência do valor total das parcelas por dez meses, o que poderia aliviar em até R$ 5 bilhões os cofres do estado. Trataria-se de um alívio imediato, pois a dívida continua existente, assim como o enorme rombo das contas estaduais, que vai aumentando o tamanho do problema a cada mês. O governo do Rio, como o de Rio Grande do Sul e o federal, quebrou.

Mas o povo fluminense não precisa de uma confissão oficial do governo para saber que vive em situação de calamidade. Basta sair às ruas. Basta tentar arrumar um emprego. Basta ficar no trânsito, correr o risco constante de ser assaltado ou levar uma bala perdida. Basta conversar com algum policial. Ou seja, aqueles que não vivem em alguma bolha criada nos cenários artificiais do Projac compreendem muito bem que o estado está em caos total.

Como maior prova disso, tivemos a invasão – esta sim, cinematográfica – de um dos mais importantes hospitais da cidade para o resgate de um comparsa do crime: Funcionários e pacientes do Hospital Souza Aguiar, no Centro, passaram por momentos dignos de um filme de terror, na madrugada deste domingo, quando cerca de 25 bandidos invadiram a unidade para resgatar Nicolas Labre Pereira de Jesus, o “Fat Family”, que estava internado. O grupo arremessou granadas em direção aos policiais e trocou tiros com a equipe. Granadas! E o pior: pelo que consta, a Secretaria de Segurança já sabia da operação do bando:

A cúpula da segurança pública do Rio sabia deste a última quinta-feira à noite dos planos dos traficantes de invadirem o Hospital Souza Aguiar para resgatarem Nicolas Labre Pereira de Jesus, conhecido como“Fat Family”, de 28 anos, irmão do também traficante Marco Antonio Pereira Firmino da Silva, o My Thor, que está em um presídio federal. Na quinta-feira, escutas que eram realizadas pela Delegacia de Combate às Drogas (Decod), da Polícia Civil, interceptaram uma comunicação dos bandidos detalhando o plano. O caso foi comunicado imediatamente, num documento confidencial, à Polícia Militar e à cupula da Secretaria de Segurança. Na madrugada deste domingo as ameaças se confirmaram: 25 homens armados com fuzis, pistolas e usando explosivos, invadiram o hospital e resgataram Fat Family. Uma pessoa morreu e dois ficaram feridos.

Segundo fontes da Secretaria de Segurança, a comunicação da Polícia Civil realmente existiu e foi recebida pelo setor de Inteligência na quinta-feira, que repassou ao comando da Polícia Militar com a orientação de reforçar a segurança do Hospital Souza Aguiar durante o fim de semana. A PM afirmou que quatro policiais militares estavam no hospital na hora da invasão. O GLOBO apurou, entretanto, que apenas dois faziam efetivamente a escolta do traficante e que não houve reforço na segurança interna e externa do hospital.

São cenas inacreditáveis, relatos chocantes. Mas eis o mais impressionante: já não chegam a chocar tanto o povo fluminense, que se acostumou ao absurdo. O Rio vive num mundo surreal, em que coisas espetaculares são tratadas como banais, parte do cotidiano de todos. É um estado falido, que ficou dependente demais do petróleo, que tem governos perdulários, e um problema de segurança ímpar, por sua condição de ilhas de prosperidade em meio a um oceano de favelas dominadas pelo tráfico.

Não fosse o suficiente, é dominado por uma elite da esquerda caviar, por artistas e “intelectuais” que detonam a própria polícia enquanto pintam os marginais como “vítimas da sociedade”, que aplaude a gastança irresponsável do governo, pois vale tudo pelo “social”, que só pensa em boquinhas nas tetas estatais, e que vibra de emoção com a Copa e as Olimpíadas sendo realizadas no estado, com muita pompa, como se isso não fosse custar os olhos da cara aos cofres públicos.

Ah, como o povo fluminense, em especial o carioca da “cidade maravilhosa”, é malandro! Tem as belas praias, tantas vezes impróprias. Tem a beleza natural, destruída pelas favelas, que precisam ser glamourizadas pela elite culpada. Tem os artistas globais, aquela gente famosa e descolada que pode ser vista nas ruas com tranquilidade. Ou sem tranquilidade, pois não há mais recanto tranquilo no estado imerso na violência.

E por falar em violência, o povo fluminense ainda precisa ver as autoridades e seu principal jornal destacando a importância do desarmamento civil no combate ao crime. Sim, o grande risco vem da velhinha que ainda tem aquele revólver que o falecido marido deixou de herança. Os bandos invadem hospitais famosos com granadas e fuzis, mas o problema da criminalidade será combatido tirando as armas do cidadão ordeiro, de bem.

Ancelmo Gois destaca em sua coluna: “A informação é do Ministério da Justiça. O preço de fuzis, inclusive o AK-47, está caindo entre os traficantes. O excesso de oferta foi provocado pela crise na Venezuela, que leva militares a fazer uma grana extra vendendo armas. Algo parecido ocorreu com a venda de armas russas, durante o colapso da União Soviética. Quem também está inundando o mercado com armamentos são guerrilheiros das Farcs, diante da perspectiva de selar a paz com o governo da Colômbia”.

A fronteira porosa que permite a entrada de armamento pesado e já ilegal para os bandidos do morro: eis o cerne da questão. Mas quem vê televisão ou lê o jornal estará certo de que o grande problema é mesmo uma loja vender uma pistola para o cidadão trabalhador após infindáveis burocracia e checagens, ou o proprietário rural comprar uma espingarda para se defender de qualquer invasão. Assim é o povo fluminense: adora uma fuga, um bode expiatório, uma distração que o tire da dura realidade. Se ao menos o governo proibir a venda de armas para os cidadãos na legalidade, os bandidos já na ilegalidade vão ficar desarmados…

Sim, o Rio está em estado de calamidade, e não vem de hoje. Uma desgraça dessas não é obra do acaso, mas de décadas de investimento na incompetência, na indecência, numa mentalidade obtusa, em governantes populistas, num estado inchado que será a salvação para todos os males que assolam a população. Onde foi que a socialista Heloísa Helena teve mais votos quando foi candidata à presidência? Onde é que os socialistas do PSOL fazem tanto sucesso? Onde Chico Buarque é tratado como Deus?

O Rio é lindo! Ou tinha tudo para sê-lo. Infelizmente, não acerta uma. É refém de uma mentalidade totalmente equivocada. Adora a Petrobras estatal, e foi ela que ajudou bastante a quebrar o estado agora. Adora o funcionalismo público, e não há mais dinheiro para pagar a todos agora. Adora olhar para marginais como se fossem os “bons selvagens” de Rousseau, pobres “vítimas da sociedade”, enquanto gosta de cuspir na polícia “fascista”, e agora vive cercado de bandidos fortemente armados que invadem hospitais públicos com granadas e fuzis.

O Rio é uma piada! E o povo fluminense pode até se achar o mais malandro do planeta, com ginga, descolado, “experto”. No fundo, é apenas um bando de otários, vendo a calamidade se instalar enquanto vibra com as Olimpíadas para inglês ver. Misericórdia!

Rodrigo Constantino

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Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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