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Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino

Um blog de um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”.

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Pergunta aos "progressistas": vocês realmente acham que um moleque estupra e mata porque não teve aulas de matemática?

Quem defende o estuprador vira as costas para a vítima

A grande maioria da população brasileira estava ainda lambendo as feridas da derrota da PEC que reduziria a maioridade penal quando uma manobra do sempre sagaz Eduardo Cunha fez com que outra medida, mais amena, fosse aprovada. Não vou entrar no mérito se isso é bom ou ruim para a democracia, da forma que foi feito. O que desejo, aqui, é somente fazer uma pergunta aos “progressistas”, e espero obter respostas sinceras após a devida reflexão.

Não falo, naturalmente, àqueles que defendem sempre bandidos por afinidade mesmo, por desvio de caráter, por cumplicidade. Também não falo aos que resumem a questão a um simplismo infantil do tipo “bonzinhos rejeitam medida fascista e fascistas querem se vingar de pobres crianças por serem insensíveis”, pois algo tão patético eu deixo para os coleguinhas do Jean Wyllys.

O que eu quero saber, e daqueles que estão realmente dispostos a debater com honestidade intelectual e querem o melhor para o país, é se mesmo uma redução mais restrita, apenas para alguns crimes hediondos e deixando de fora tráfico de drogas e roubo qualificado, ainda soa como algo medieval ou como sede de vingança por parte de uma elite insensível. Essa gente está disposta a sustentar que quase 90% dos brasileiros têm inclinação fascista?

Eis a pergunta: vocês realmente acreditam que um galalau de 17 anos que estupra e mata mulheres inocentes só fez isso porque não teve mais aulas de português ou matemática? Sério? Até onde vai o romantismo de vocês, a ponto de cegá-los dessa forma? Podem citar Betinho e companhia, podem repetir slogans sensacionalistas, alegando que quando “abandonamos” a criança, desistimos do homem, e podem insistir que o mais importante é garantir boa educação para impedir o crime. Mas pergunto novamente, e não precisa responder de imediato: o moleque estupra uma mulher indefesa e depois a mata porque não aprendeu a fazer conta de multiplicação?

Sei que muitos de vocês cresceram escutando as ladainhas dos professores e “intelectuais” de esquerda, que possuem uma visão romântica do mundo, influenciada por Rousseau, que desejam muito enxergar as “crianças” como seres puros e angelicais que, se não forem desvirtuados pela “sociedade”, se tiverem melhores oportunidades, jamais serão bandidos. Alguns ainda repetem a falácia do crime famélico, ou seja, garotos roubam por fome e desespero, algo refutado pelas estatísticas e evidências.

Mas nem quero tratar deles aqui. Como roubo qualificado e tráfico de drogas ficaram de fora da medida, quero falar estritamente dos casos de estupro e assassinato. Vamos lá, psicanalistas, sociólogos, historiadores, antropólogos e demais das áreas de Humanas: vocês realmente acham que um marmanjo de 16 anos arranca as tripas de uma vítima inocente porque não teve aulas sobre as maravilhas do marxismo? É isso que estão a defender?

Reparem bem num detalhe: vocês podem até alegar que esses monstros não seriam criados se houvesse mais investimento em educação por parte do governo. Também não vou entrar nesse mérito, o que já rebati em outros textos, atacando esse modelo atual de ensino público ou argumentando que a maldade existe, independentemente da classe social (como vocês reconhecem, ao destilarem ódio aos criminosos “bacanas”). O foco aqui é outro: partindo da premissa de que esses “garotos”já se transformaram nesses monstros, capazes de estuprar e matar pessoas inocentes, o que fazer com eles? Colocá-los nas escolas? Sério?

Percebem como acusar a maioria da população de “fascista” não faz o menor sentido? O que exatamente vocês querem fazer com rapazes que degolam vítimas inocentes? Colocar para brincar de lego e ler poesia? Acham mesmo que essa é uma resposta razoável? Acham que se esses assassinos e estupradores receberem penas leves alternativas e saírem depois de poucos anos sem registro criminal serão advogados, médicos ou psicólogos decentes, apenas carregando uma “pequena” mancha no currículo de ter estuprado e matado gente no passado?

Sei que a maioria de vocês não vai responder com sinceridade, ou sequer parar para refletir sobre o que está sendo dito. O romantismo é poderoso, a ideologia idem, assim como o desejo de preservar a imagem de abnegado perante seus pares. Poucos de vocês terão a coragem de absorver o que foi dito aqui e regurgitar em cima disso, para concluir com honestidade o que deve ser feito com esses criminosos. Mas escrevo para esses poucos. Não posso desistir de vocês, pois sei como uma sensibilidade mal calibrada, a covardia ou a pressão do grupo podem levar à defesa de bandeiras absurdas.

Esqueçam por um segundo o ódio ao Eduardo Cunha, visto como o grande Capeta no Brasil, um país que tem Lula, Dirceu e companhia. Esqueçam Bolsonaro também. Esqueçam todos aqueles que repetem que bandido bom é bandido morto. Eu quero saber apenas uma coisa: vocês realmente acham que alguém estupra e mata por falta de escola, e que quem estupra e mata aos 16 anos ainda tem salvação?

Rodrigo Constantino

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Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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