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Rodrigo Constantino
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Um blog de um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”.

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Socialismo e liberdade

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Por João Cesar de Melo, publicado no Instituto Liberal

Uma constante no discurso socialista é o uso da palavra “liberdade”. Chegam a compor “liberdade” e “democracia” na mesma frase.

Ao longo do século XX, o conceito de liberdade defendido pelo socialismo só amadureceu numa única questão: Agora, eles aceitam o homossexualismo e respeitam as mulheres. Depois de milhares de gays assassinados e de um número muito maior de mulheres estupradas pelos agentes dos regimes comunistas, concluíram que seria uma boa estratégia de arrebanhamento ideológico se apropriar do movimento de liberação sexual iniciado na década de 1960, nos Estados Unidos. Perceberam que conquistariam facilmente a simpatia e o engajamento dos jovens se defendessem a liberdade de cada um fazer o que quiser com seu próprio corpo. Com isso, formaram um verdadeiro exército de militantes conscientes e inconscientes. Um exército de jovens que apoiam os partidos de extrema-esquerda por eles levantarem a bandeira gay e feminista. Levantando essas bandeiras, um partido socialista consegue os votos necessários não apenas para se aprovar leis que conferem direitos aos gays e às mulheres, mas também e principalmente para impor leis que restringem a liberdade das pessoas em todas as outras áreas. No socialismo, o princípio da liberdade individual é respeitado apenas nas questões sexuais. Em todo o resto, a liberdade do indivíduo é questionada, intimidada e restringida.

O socialismo diz que uma pessoa deve ser livre para fazer o que quiser com seu corpo, mas não pode ser livre para guardar para si o fruto de seus esforços e talentos.

Os socialistas dizem que uma pessoa deve ser livre para escolher seus parceiros sexuais, mas não pode ser livre para escolher as pessoas com as quais compartilharia seus lucros.

Os socialistas dizem que uma pessoa deve ser livre para ter mil parceiros, mas não pode ser livre para gastar sua renda comprando mil coisas.

Os socialistas dizem que uma pessoa deve ser livre para introduzir no próprio ânus um crucifixo em frente a uma igreja, mas não pode ser livre para ostentar uma joia, um carro de luxo ou uma roupa de grife comprada com o dinheiro do seu próprio trabalho.

Os socialistas repudiam a ideia de que o estado arbitre sobre as relações sexuais das pessoas, mas defende fervorosamente que o estado arbitre sobre as relações comerciais e profissionais entre elas.

Aos socialistas, duas perguntas:

Qual a função social da liberdade sexual?

Considerando que vocês dizem que a criminalidade urbana é resultado da exclusão promovida pelo capitalismo, os casos de estupros não seriam o resultado da rejeição das mulheres a determinados tipos de homens, em sua maioria, negros e pobres?

A verdade é que os socialistas distorcem o significado da liberdade para destruir a existência da própria liberdade.

Os socialistas dizem que o capitalismo restringe a liberdade do individuo subjugando-o à divisão do trabalho e aos baixos salários. Sendo assim, devemos crer que um empresário, num ambiente de livre mercado, tem mais poder sobre uma pessoa do que tem o estado quando ele próprio controla a economia? Devemos crer que um trabalhador americano tem sua liberdade restringida pelo patrão enquanto o cidadão cubano é livre para cuidar de sua própria vida?

A mesma verdade: A defesa que o socialismo faz da liberdade sexual não passa de uma depravada estratégia de escravização social, cultural e econômica.

Devemos notar que o engajamento nas causas gays e feministas de um partido é diretamente proporcional ao seu engajamento pelo controle estatal da economia, o que remete a Hayek, que sintetizou muito bem a questão afirmando que o estado, ao ditar as regras do mercado, torna a vida privada das pessoas uma pauta política.

Precisamos ter sempre em mente que quanto mais se concede poder ao estado para uma coisa, mais se abre caminho para que o estado obtenha poder para todas as outras coisas; e esse caminho sempre é iniciado pelo controle da economia.

Devemos nos lembrar também que todas as revoluções socialistas apresentaram-se como movimentos de libertação, mas assim que seus líderes conquistaram o poder, a primeira providência tomada foi criar formas “legais” de restrição ou eliminação da liberdade das pessoas.

Outro ponto que deve ser observado é a correlação que os socialistas fazem entre liberdade e igualdade. Pergunto: Qual o sentido de ser livre num mundo igualitário? Para o que serviria a liberdade se o indivíduo não tiver o que escolher?

A “Nova Liberdade” anunciada por Max Eastman é um engodo ideológico. O próprio socialista americano escreveu que “…a instituição da propriedade privada é um dos principais fatores que restringiram a liberdade e a igualdade que Marx esperava tornar infinita ao abolir tal instituição”, ou seja: O indivíduo torna-se livre apenas quando não tem direito sobre sua própria liberdade − considerando que o princípio da liberdade envolve o direito de guardar para si o fruto de seu trabalho construindo patrimônio e fazendo poupança.

Quando o sociólogo húngaro Karl Mannheim disse que o “advento da liberdade planejada não significa que todas as formas mais antigas de liberdade devam ser abolidas”, ele tentou camuflar uma probabilidade: Se permitirmos que o estado tenha poder para planejar nossa felicidade, ele também terá poder para impor nosso infortúnio; o estado que nos oferece tudo o que precisamos também pode nos tomar tudo o que temos e tudo o que produzimos para se promover a “justiça social” que, nesta situação, se impõe como política inquestionável.

Mannheim e todos os outros socialistas ignoram que liberdade e planejamento se contrapõem em conceito e em prática.

A exaltação da “democracia” como forma de se conquistar a liberdade evidencia ainda mais as más intenções socialistas, já que são eles os primeiros a manipular a democracia para que a vontade da maioria restrinja a liberdade da minoria ou o contrário.

Já que os socialistas gostam tanto de nos acusar daquilo que eles são, resgato uma frase de Mussolini: “Fomos os primeiros a afirmar que, quanto mais complexa se torna a civilização, mais se deve restringir a liberdade do indivíduo”.

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Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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