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Rodrigo Constantino
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Um blog de um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”.

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Um excelente resumo da farsa que foi o Brasil petista e o Rio olímpico

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Nada como ter um editor que é também um grande escritor! É o caso de Carlos Andreazza, meu editor na Record. Suas colunas às terças-feiras no GLOBO são sempre excelentes, e seu poder de síntese é fantástico, tudo ornado com sua bela prosa. Conteúdo e estilo, a combinação perfeita. Em sua coluna de hoje, Andreazza faz um belo (porém triste) resumo da farsa que foi o Brasil petista e o Rio olímpico, numa parceria criminosa entre PT e PMDB. Seguem alguns trechos:

O pacto firmado entre Luiz Inácio Lula da Silva e Sérgio Cabral, tão logo este se elegeu governador, em 2006, atrelou o destino imediato do Rio de Janeiro ao do Brasil. Foi bacana por um tempo. O boom do petróleo chancelava a farsa a que gostosamente nos entregávamos: enquanto houvesse dinheiro, até mesmo Eike Batista seria futuro. As pessoas queriam crer — a imprensa comprara o enredo — e então, de súbito, tínhamos a maior quantidade de estadistas da história das relações entre os palácios do Planalto, Guanabara e da Cidade. 

[…]

Os sete anos passados, a casa já de todo caída, converteram 2016 em mirante à melhor compreensão do que terá sido a sociedade para o estelionato eleitoral costurado por PT e PMDB. Nesse ínterim, estabelecida a Lava-Jato, o ambicioso projeto de poder político-econômico desnudou-se em complexa organização criminosa, afinal poliglota, encabeçada — segundo o Departamento de Justiça dos EUA — por Brazilian Official 1 e Brazilian Official 2.

Ainda assim, 2016 começou com esperança, uma esperança, a única remanescente de 2009: a boa e velha Olimpíada, possível salvadora de pixulecos e oxigênios; uma esperança, portanto, não de natureza pública, nem de sobrevida política, mas de sobrevivência criminal.

[…]

Os Jogos, contudo, não dariam ao baronato peemedebista o desejado período de carência, de tolerância, para manobrar — e o Rio de Janeiro rapidamente deu mostras de que, em seu cotidiano de violência, lá de onde traficantes despencam Zona Sul abaixo, não havia lugar para o espírito olímpico. Foi quando o cidadão fluminense descobriu — com pelo menos cinco anos de atraso — que a tal UPP, a Unidade de Polícia Pacificadora, nunca passara de farsa, de política de segurança pública de viabilidade impossível em médio prazo.

Sim, foi tudo uma grande farsa, nada além de uma grande farsa. E com o aplauso de milhões de zumbis, com a cumplicidade da grande imprensa, com o sonambulismo da população em geral, salvo raras e honrosas exceções. Alguns de nós, Cassandras e Laocoontes tupiniquins, tentamos alertar, escrevemos muitos textos, gravamos vídeos, debatemos, fizemos palestras. Tudo em vão. A turma queria acreditar na farsa. Ela era muito sedutora. “Sai pra lá, seu pessimista chato!”

Mas o mais pessimista entre nós não imaginou um destino tão trágico! Éramos Polianas no fundo, perante o poder de destruição dessa quadrilha. E o brasileiro jeca, o carioca malandro, estavam todos lá, festejando o “país do futuro”, sob as justificativas “intelectuais” de gente como Domenico De Masi e tantos outros, empolgados com o estilo brasileiro de ser, com nossa receita para o sucesso.

Eis aí o sucesso: 12 milhões de desempregados, estados quebrados, país falido, salários de servidores públicos parcelados, violência galopante. E não pense, caro leitor, que todos abriram os olhos. Fale em privatizar a Petrobras e verá como a estupidez, que sempre teve um passado glorioso em nosso país, ainda possui um futuro promissor. Proponha reduzir drasticamente o tamanho do estado e veja como haverá resistência daqueles que pregam a “justiça social”.

Muitos aguardam apenas o novo ciclo artificial de bonança, ventos externos favoráveis, para voltar a sonhar com o país do futuro, como se este caísse dos céus, brotasse do solo ou fosse um maná divino, fruto de nossos abundantes recursos naturais. Trabalho duro, empreendedorismo, ambiente amigável de negócios, menos estado e menos impostos, menos burocracia e mais liberdade econômica, flexibilidade nas leis trabalhistas e sindicalismo voluntário: são valores e medidas liberais, e sabemos que o liberalismo passou mais longe do Brasil do que Plutão da Terra.

Nem tudo está perdido, é verdade. O governo Temer, em que pesem seus inúmeros defeitos, ao menos tem caminhando na direção certa. Como bem disse Gustavo Franco em sua coluna no domingo, não existe cesta de 20 pontos no basquete. É preciso fazer as mudanças aos poucos, evitar pontos adversários, e reconhecer que não existem milagres. PEC do Teto, reforma (paliativa) da Previdência e (alguma) flexibilização nas leis trabalhistas podem deixar a marca de uma boa gestão.

Mas ainda será pouco para o tamanho do problema. A farsa durou por tempo demais, e a cada ano o rombo aumentava. Só há uma saída para o Rio, um microcosmos do Brasil, além do aeroporto do Galeão: o liberalismo. Ou abraçamos de vez essa ideia, ou vamos mesmo aguardar, entre um arrastão e outro, o novo ciclo externo, para inventar um novo Eike Batista, para elogiar uma gerentona feito Dilma. Como o Brasil cansa! E como o Rio cansa em dobro!

Rodrigo Constantino

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Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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