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Rodrigo Constantino
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Uma terça-feira que poderia não ter existido: projeto contra corrupção é desfigurado por deputados

Fonte: GLOBO

Fonte: GLOBO

O sujeito que acordou ontem e deu “bom dia” a alguém errou feio. Que dia terrível! Um dia para ser esquecido, que poderia não ter existido para o bem de muitos. A começar para os jogadores do Chapecoense e os jornalistas que estavam naquele voo que tragicamente caiu; para todos os democratas que viram, chocados, uma horda de marginais esquerdistas depredando tudo em Brasília contra as reformas necessárias; para os fetos humanos, que agora podem ser eliminados legalmente por decisão do STF que atropela o Congresso e a Constituição; para as pessoas decentes que defendem o combate à corrupção e a Lava-Jato.

Vejam o deputado Onyx Lorenzoni sendo vaiado por seus pares ao fazer um discurso firme contra a corrupção:

https://youtu.be/twt4S-RPGQw

Felipe Moura Brasil fez um bom resumo na VEJA. O GLOBO dá a notícia:

O plenário da Câmara desfigurou completamente o relatório de medidas de combate à corrupção e tirou do texto pontos-chave como a criminalização do enriquecimento ilícito, a criação da figura do “reportante do bem” – que recebe recompensa por denunciar ilegalidades -, o aumento do prazo de prescrição dos crimes e passar a contá-lo a partir do oferecimento da denúncia e não do seu recebimento, excluiu o acordo penal – onde a sanção possa ser negociada e aceita pelo autor do crime – e tira todas as regras sobre celebração de acordo leniência. Os parlamentares ainda incluíram no projeto a tipificação do crime de abuso de autoridade para magistrados e integrantes do Ministério Público.

Das dez medidas originais apresentadas pelo Ministério Público, autor do pacote, duas permaneceram integralmente – criminalização do caixa dois e o artigo que exige que os tribunais de Justiça e o Ministério Público divulguem informações sobre tempo de tramitação de processos e que se identifiquem as razões da demora de julgá-los. Permaneceu parcialmente a limitação do uso de recursos que protelam o andamento dos processos e a medida que torna corrupção em crime hediondo quando a vantagem ou prejuízo para a administração pública for igual ou superior a dez mil salários mínimos vigentes à época do fato.

A derrota do relator Onyx Lorenzoni (DEM-RS) foi acachapante. Todos os destaques apresentados para mudar seu relatório foram aprovados. Em todas as votações ele foi derrotado por placar elástico, com mais de cem votos de diferença em cada ponto. Foi uma revés pessoal do relator, que, ao longo desse debate, irritou dezenas de deputados, de todos os partidos, por, principalmente, ter se aproximado de integrantes do Ministério Público e, em suas declarações, ter “jogado” seus pares contra a opinião pública. Ele foi duramente criticado na sessão de votação e vaiado várias vezes. Lorenzoni estava isolado no plenário.

Sim, ele estava sozinho lá, no plenário, mas com o apoio de milhões de brasileiros. E foram os deputados que o derrotaram que estavam unidos pelo corporativismo, mas contra o povo brasileiro do lado de fora. Estamos sem representantes! Estamos abandonados! Estamos sendo intimidados por brutamontes da extrema-esquerda contra as reformas necessárias, pelo STF contra a Constituição, da qual deveria ser o guardião, e pelos deputados contra o combate à corrupção. Estamos sós. Mas somos muitos. E temos a força.

Que essa trágica terça-feira sirva para nos fortalecer, pois o que não mata, fortalece. Numa guerra há sempre batalhas perdidas. Não podem nos desanimar, pois se nos entregarmos a vitória será deles, dos inimigos do Brasil. Vamos em frente! Abalados, sim, machucados, cansados. Mas vamos em frente!

Rodrigo Constantino

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Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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