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Rodrigo Constantino
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Universitários ingleses querem remover filósofos brancos dos seus programas de estudos: isso é racismo!

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Por Thiago Kistenmacher, publicado pelo Instituto Liberal

O politicamente correto não cansa de fazer vítimas. Os réus da vez são os filósofos brancos. Sim, isso mesmo, a implicância agora é com a cor de pele dos filósofos estudados na universidade. De acordo com o jornal britânico  Daily Telegraph, estudantes da School of Oriental and African Studies (SOAS) da Universidade de Londres “estão exigindo que figuras tais como Platão, Descartes e Immanuel Kant sejam largamente removidos do currículo porque eles são brancos”. É a epidemia politicamente manchando tudo aquilo que toca, inclusive da liberdade de pensamento.

Os estudantes indignados com a cor dos filósofos dizem que exigir que os pensadores brancos sejam removidos do currículo é parte de uma campanha mais ampla que visa “descolonizar” a universidade. Afirmam também que tal iniciativa pretende “lidar com o legado estrutural e epistemológico do colonialismo”. Onde está a diversidade tão defendida por este pessoal? Se eles estudam uma época marcada pela colonização, porque não levar em consideração a própria época? Remover filósofos importantes para aquele período é anular uma característica do objeto estudado. Estão sabotando os resultados das próprias pesquisas.

Além do mais, conforme informa o Daily Telegraph, esta exigência surgiu após autoridades da educação terem advertido que as universidades deverão agradar as demandas dos estudantes “por mais irracionais que elas possam ser”. Exatamente, é mesmo irracional remover grandes filósofos por causa de sua cor de pele. É mesmo irracional ser politicamente correto. É mesmo irracional consentir com a insanidade de alunos que querem tudo “desconstruir”.

Roger Scruton reagiu. Entre outras coisas, disse: “se eles pensam que existe um contexto colonial para o que levantou a Crítica da Razão Pura de Kant, eu gostaria de ouvir.” Scruton foi preciso. Eu também fiquei curioso para saber como discutir a magnum opus de Kant à luz da colonização. Existem preocupações universais que independem do contexto político. O Mito da Caverna de Platão pode ser discutido num bar em Copacabana como num front durante um cessar fogo. Ainda que eles estivessem se referindo somente à filosofia política, isso seria um contrassenso.

Outro que reagiu foi o vice-chanceler da Buckingham University, quando disse que “Há um perigo real de que o politicamente correto esteja saindo do controle”. Ele já saiu há tempo e tem contaminado todos os terrenos sobre os quais suas tropas desfilam.

Uma pergunta: será que essas iniciativas não poderiam ser consideradas racistas? Afinal, elas estão levando mais em conta a cor da pele dos filósofos do que seus pensamentos. Isso é racismo! Eles estão julgando os filósofos pela cor da sua pele, precisamente o que fizeram e fazem os movimentos e políticas racistas!

A militância disfarçada de epistemologia não para por aí. Os estudantes declararam que uma das prioridades deste ano acadêmico é “descolonizar” a universidade a fim de confrontar aquilo que chamaram de uma “instituição branca”.

Uma integrante do SOAS argumenta: “Uma das grandes forças do SOAS é que sempre olhamos as questões do mundo pela perspectiva das regiões que nós estudamos – Ásia, África e Oriente Médio”. Não parece, pois o politicamente correto e suas manias não foram criadas em nenhuma destas regiões, logo, a metodologia do grupo está fundamentada em perspectivas ocidentais.

Eles acentuam que os filósofos brancos deveriam ser estudados somente se requisitados, e que suas ideias deveriam ser ensinadas somente a partir de um “ponto de vista crítico”. Essa turma poderia começar também observando sua própria militância política a partir daquilo que chamam de “ponto de vista crítico”. Remover filósofos brancos de um currículo acadêmico não é muito sensato para quem se diz “crítico”. Os filósofos, brancos ou não, têm as mesmas perguntas acerca da vida humana, etc. Isso nada tem a ver com a cor da pele ou contexto político.

Será que o método cartesiano faz diferença se aplicado por um negro ou por um branco? Será que o platonismo é uma coisa para um homem branco e outra para um homem negro, ou asiático? Talvez eles pensem que um estudante oriental nada aproveite da República de Platão. Será que Kant deveria ter escrito uma Crítica da Razão Pura para Negros e outra Crítica da Razão Pura para Brancos? Faça-me o favor!

Antes de tudo, esses militantes disfarçados de pesquisadores deveriam ter em vista que a filosofia não tem cor. A filosofia tem perguntas universais que, na grande maioria das vezes, independem de contextos políticos.

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Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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