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Rodrigo Constantino
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Dilma, na ONU, insiste em culpar crise externa por trapalhadas internas

Algumas manchetes foram bem enganosas. O El País, por exemplo, alegou que Dilma admitiu falhas na condução da economia, dando destaque para uma ínfima admissão da presidente de que “errou” ao combater por tempo demais a crise internacional com estímulos ao consumo. Em seguida, o jornal reconhece no corpo da matéria que não chegou a ser uma grande confissão de culpa:

O raro mea-culpa não foi detalhado, apenas citado brevemente durante seu discurso na abertura da sessão de debates da 70ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York.

“Por seis anos adotamos um amplo conjunto de medidas, reduzindo imposto, ampliando crédito, reforçando investimento e o consumo das famílias. Aumentamos os empregos, aumentamos a renda neste período. Esse esforço chegou, agora, no limite. Tanto por razões fiscais internas, como por aquelas relacionadas ao quadro externo”, afirmou. Antes dessa fala, a mandatária brasileira apenas citava a crise internacional como a responsável pelos problemas financeiros enfrentados pelo país.

O GLOBO foi ainda mais benevolente com a suposta guinada rumo à humildade da presidente Dilma, e destacou em uma página inteira que estaríamos diante de um “mea-culpa internacional”:

 

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Esses jornalistas estão sendo bondosos demais, forçando a barra para pintar uma presidente humilde que simplesmente não existe. Reparem bem na fala de Dilma: o “erro” que ela admite foi ter gerado empregos durante a crise com os estímulos do governo, que apenas “se esgotaram”. Dizer que o esforço de ajudar os mais pobres contra a crise internacional chegou ao limite não é admitir culpa por todas as trapalhadas que causaram a crise!

Os jornais deveriam ser mais rigorosos com os fatos. Não estamos nesse caos econômica, com queda da atividade prevista para até 3% este ano, inflação de 10% e desemprego crescente, por causa da crise internacional ou porque a resposta a essa crise se prolongou demais. Não! Aceitar essa mentira é absurdo, ainda mais alegando que se trata de um “mea-culpa” fruto de humildade.

O Brasil mergulhou nessa grave crise porque o modelo adotado pelo governo petista foi totalmente equivocado. Intervenção estatal demais na economia, preços represados, crédito público crescendo de forma irresponsável, seleção dos “campeões nacionais” pelo BNDES desvirtuando o mecanismo de incentivos das empresas, gastos públicos aumentando de forma totalmente inaceitável, as “pedaladas fiscais”, Mercosul ideologizado pelo bolivarianismo, estatais transformadas em instrumentos de poder político e corrupção, enfim, por todo o “desenvolvimentismo” inflacionista que é a crença ideológica do PT.

Dilma não chegou nem perto de reconhecer esses erros, os verdadeiros, que destruíram nossa economia. Ela ensaiou um cínico reconhecimento de um “erro” menor – ter reagido por tempo demais com estímulos para aliviar a crise internacional – justamente para não ter que admitir todos os erros reais, alertados desde então por economistas liberais, como esse que aqui escreve. Ela quer salvar a própria pele, a do PT e a mentalidade “desenvolvimentista” parida na Unicamp, apenas isso.

Os jornais não poderiam cair nesse embuste, transmitindo para os leitores uma falsa ideia de que Dilma estaria mais humilde e disposta a aceitar parte da responsabilidade por nossa situação lamentável de hoje. Um mínimo de atenção mostra que é o contrário: ela adota uma tática arrogante de negar a realidade, ainda insistindo na tese ridícula de crise internacional, para não ter a nobreza de admitir seus erros. Quem nasce para lagartixa nunca chega a jacaré. Uma populista jamais será uma estadista!

Rodrigo Constantino

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Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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